terça-feira, 5 de maio de 2009

Nem burro...nem esperto:...

Ainda falado de saudade...lembrei de algumas coisas de minha infância.
O dia-a-dia sempre vemos grande demonstrações de burrice e outras tantas de “esperteza”. Mas quando se é criança...nossa, vemos todos os nosso amigos querendo dar uma de esperto. Os seus próprios pais os incentivam. Afinal, é melhor ser esperto do que passar por bobo.
Um dos momentos mais engraçados que me lembro, foi de quando alguns amigos e eu fomos a um parque, desses miúdos de pracinha mesmo, mas pra gente...nossa, era um acontecimento!!
Roda gigante, tiro ao alvo, aquele troço de bater com uma marreta(pra ver a força), pescaria, carrossel(não que me interessasse) e um monte de brinquedos de rodar(é sempre assim).
Pra gente tudo isso, e o fato de sairmos sozinhos(mesmo que pra um lugar próximo), nos animava muito. Nos organizamos por dias e juntamos uma grana, e ainda pedimos mais um pouco pra nossas mães.
Éramos uns 5(eu acho), e fomos num agitação que parecia aqueles filmes dos anos 80 em que a gurizada vai se divertir em algum hotel, com muito: sexo, drogas e rock’n roll.
Ao chegarmos naquele parque de brinquedos enferrujados e meio sem graça...entramos num certo frenesi e nos divertimos como loucos...eita, to me perdendo.
O importante é que todos brincávamos...menos um de nós. André! O único cara que era de minha idade. Nos nem demos muita bola pra ele. Mas ao final...quase sem grana...um comprou um picolé fajuto...outro conseguiu tomar um refri e mesmo assim porque os outros ajudarão com algumas moedas. Mas André, todo orgulhoso, estava com um lanche completo: pipoca, sorvete, cachorro quente e refrigerante. E todo orgulhoso, diga-se de passagem!
O lazarento ficou se cabando e passando na nossa cara o fato de ser mais esperto e ter guardado grana pro lanche. E repetia pra quem pedisse um pouco: “pode ficar babando que eu não vou dar nada pra ninguém! Quem manda ser burro e torrar o dinheiro nos brinquedos?”
Ele ficou enchendo o saco de todos e se cabando de como era esperto...de como era inteligente por seguir os conselhos do pai. “hermanoteu, veio!” Que mala!
Olhei pra ele e perguntei: André! Tu está passando fome em casa? Porque, vei, na moral, tu é muito burro! Veio pra um parque de diversões pra comer, foi?
Ele ficou com cara de arrogante sem querer dar o braço a torcer ...e rindo sem graça.
Completei: já to vendo, galera. Daqui há um tempo a gente vai ta dando risada e lembrando da coisas legais de hoje: “cara, se viu aquela menina que sentou do meu lado na roda gigante?” ou “lembram como eu quase num guentei segura aquela marreta?” ou “veio, muito ruim a mira de Bruno, num acertava nada” e outras lembranças legais do dia. Mas André vai dizer cheio de empolgação: “caraça!! Lembram do cachorro quente que comi? E o refri? Veeeeio...tava animal!”
Fiz cara de tédio e dei a costas pra ele!

Esse mundo ta ferrado...metade da raça humana é burra...e a outra metdade é metida a esperta!

2 comentários:

  1. Esse tipo de lógica invertida vai na bagagem de muita gente para a fase adulta. Essa é a mesma lógica que nos faz querer trabalhar mais, para ganhar mais, para comprar aquele box de DVD que na verdade não precisamos. Acabamos trabalhando tanto que quase não nos resta tempo livre para nos dedicarmos ao tal box de DVD ou a qualquer outra coisa que gostamos de fazer.

    Mais inteligente é trabalhar menos, ter mais tempo livre e pegar o box emprestado com André (ou qualquer amigo análogo).

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  2. muito bem dito, BOB! e é bom lembrar que essa genialidade toda ele herdou do pai! :P

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